GPS - Grande Portal das Sondagens
Todos os caminhos da opinião pública até às eleições
Arquivo: Esta página contém as previsões para as eleições legislativas de 2025. Para as previsões das eleições presidenciais de 2026, visite a página principal do GPS.
AD perto da vitória, mas longe de uma maioria estável
Semana com quatro novas sondagens mostram uma opinião pública praticamente na mesma. No fim-de-semana em que alguns portugueses já vão votar (voto antecipado),a AD vence 85 em 100 eleições simuladas. Mas, nem tudo é laranja na vida de Montenegro: pela primeira vez desde Abril as sondagens mostram a AD a perder terreno. Chega ganha força, e não parece haver qualquer hipótese de uma maioria parlamentar à direita sem o partido. Ferramenta do PÚBLICO mede a tendência das intenções de voto durante a campanha eleitoral.
Simulação de eleições
Deputados eleitos em 10.001 eleições simuladas. Quanto mais carregada for uma cor, mais vezes aquele partido elegeu aquele número de deputados.Simulações actualizadas a cada nova sondagem publicada.
AD favorita, Chega ganha terreno
Numa semana em que tivemos quatro novas sondagens, e quase na recta final das eleições, a Aliança Democrática mantém-se como a favorita a vencer as eleições de 18 de Maio. Mas pode haver sinais de preocupação para Luís Montenegro: pela primeira vez desde Abril, as sondagens mostram a AD a perder terreno (ainda que apenas um ponto percentual).
Os números essenciais
- Em 10.001 simulações do algoritmo do PÚBLICO, a AD vence em 85% dos cenários.
- Sondagens agregadas dão agora 26,7% das intenções de voto aos socialistas.
- Continua a não existir hipótese de uma maioria absoluta da coligação entre PSD e CDS-PP. O mais próximo disso foi uma das 10.001 simulações em que a coligação de direita conseguiu 96 deputados.
- Formação de um governo com uma maioria no Parlamento continua a ser possível em três cenários: AD e Chega, AD e PS ou AD, PS e Chega.
Os outros partidos
- Chega: a campanha eleitoral dá vigor ao partido, que deverá manter à volta de 50 deputados.
- Iniciativa Liberal: liberais mantêm-se na casa dos 6% e não deverão eleger deputados suficientes para dar uma maioria à direita sem o Chega.
- Bloco, CDU, Livre e PAN: não atam nem desatam. Mantêm os números, sem capacidade de alterar o equilíbrio global de forças.
As variáveis que faltam
A sondagem da CESOP-Universidade Católica para o PÚBLICO mostra que 57% dos inquiridos já não pensam em mudar o seu sentido de voto. PAN, Livre e Iniciativa Liberal são os partidos mais expostos à mudança de sentido de voto. Será nos 40% de população que ainda não está certa que os partidos terão agora margem para crescer.
Como evoluiu a intenção de voto
Sondagens publicadas e tendência estimada, em %.Sondagens publicadas
Tabela compilando todas as sondagens eleitorais publicadas para as eleições legislativas de 2025. Inclui dados de intenção de voto para os partidos PS, AD, CH, BE, CDU, IL, L e PAN, bem como informações sobre tamanho da amostra, empresas de sondagem e data de recolha.
| Data da última recolha | Amostra | OCS | Empresa | PS | AD | CH | BE | CDU | IL | L | PAN |
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Como funciona o GPS eleitoral do PÚBLICO
O Grande Portal das Sondagens do PÚBLICO é a parte visível de um modelo estatístico desenvolvido pela equipa de jornalismo de dados do PÚBLICO que tenta determinar a probabilidade de um determinado evento ocorrer nas próximas eleições legislativas, a 18 de Maio de 2025.
Este modelo é a nossa fórmula para mitigar o ruído nos dados que nos chegam antes de cada eleição, seguindo a tradição de órgãos de comunicação social como o FiveThirtyEight, a The Economist ou o The New York Times.
Mais do que vaticinar resultados ou prever cenários, este modelo procura expor a incerteza e a probabilidade de determinado evento acontecer. Na sua base, estão três conjuntos importantes de informação: sondagens, histórico de voto e contexto socioeconómico.
Sondar as sondagens
Uma sondagem deve ser sempre vista como uma fotografia da opinião pública. Um instante, captado num dado momento, que tenta aferir a opinião pública. As sondagens têm, no entanto, dois grandes problemas: como são como "fotografias", reflectem sempre um estado da opinião pública no passado (mesmo que seja um passado recente); têm, inerente a si, um erro.
Seguindo a metodologia aplicada em Portugal pelo projecto de investigação POPSTAR (Public Opinion and Sentiment Tracking, Analysis, and Research), do qual fizeram parte Pedro Magalhães e Luís Aguiar-Conraria, usamos o filtro de Kalman para tentar distinguir uma subida como consequência de um problema de amostra ou uma real mudança na opinião pública.
A utilização do filtro de Kalman permite melhorar a qualidade das estimativas perante sequências de observação (ou dados históricos), minimizando o erro. Mas, além deste método de agregação de sondagens, aplicámos ainda outros cálculos para procurar aumentar a fiabilidade do GPS eleitoral do PÚBLICO:
- "Efeitos de Casa": Recorremos a todas as sondagens publicadas em Portugal desde 1985 para identificar os resultados e corrigir sobre ou subestimativas consistentes de partidos específicos. Se uma empresa historicamente inflaccionou o apoio a um partido em x pontos, ajustamos as suas sondagens atuais em conformidade.
- Calibração do erro esperado: Recorrendo também ao histórico desde 1985, desenvolvemos um primeiro modelo que estima o quanto uma sondagem tende a desviar-se do resultado final a determinados dias do acto eleitoral para determinado partido. Este erro esperado permite também dar pesos diferentes à leitura da sondagem à medida que esta entra no período de debates, de campanha eleitoral e em fases com menos inquiridos indecisos, por exemplo.
- Geometrias partidárias: A ciência política mostrou ao longo das últimas décadas que a ascensão de um partido político tem, geralmente, reflexo na queda de outros partidos. Ora, nestes cenários de estimativa das próximas eleições, esse aspecto não pode ser descurado. Daí que, atendendo ao histórico eleitoral e ao "sobe e desce" entre partidos, tomámos estes aspectos em consideração para que os cenários desenvolvidos pelo nosso modelo sejam realistas.
Simulações em cascata
O sistema eleitoral português para as eleições para a Assembleia da República não se resume a somar votos. Com o país organizado em 22 círculos eleitorais, cada um elegendo um número específico de deputados, o que na realidade temos são 22 eleições. Sabemos também que o país não é uniforme e que, embora haja uma relação directa entre o resultado nacional e a percentagem que o partido tem em cada um dos círculos eleitorais, esta relação não é linear.
- Para cada um dos 10.001 cenários nacionais simulados, tratamos esse cenário como se fosse o resultado real nacional.
- A partir desse contexto nacional específico, geramos então 100 resultados prováveis para cada partido dentro de cada círculo eleitoral;
- Este processo captura tanto a incerteza nacional como a variabilidade local. Mesmo para um único resultado nacional simulado, existe um leque de possibilidades sobre como esse resultado se distribuiria entre os diferentes círculos.
Aos valores nacionais simulados (que o modelo agora considera como efectivamente reais), acrescentámos outra variação ao GPS eleitoral do PÚBLICO: fizemos com que o modelo olhasse para todo o histórico desde 1975 e tentasse aprender alguns padrões como efeitos círculo-partido (por exemplo, o partido A costuma ter melhor desempenho em determinada região do país); dinâmicas específicas da eleição (Quem está no governo? Houve uma mudança de líder no último ano?); e factores demográficos e socioeconómicos que podem influenciar o voto.
Ao todo, o PÚBLICO recolheu mais de 200 indicadores a que juntou os dados das eleições.
Com um número tão grande de indicadores, havia o risco de que o modelo não conseguisse distinguir o sinal do ruído. Por isso recorremos a algumas técnicas para evitar que tal acontecesse:
- Regularização (Elastic Net): Este método estatístico ajuda o modelo a focar-se nos indicadores mais fiáveis e reduz a influência de factores menos estáveis, evitando o "overfitting" (ou seja, sobreajuste e replicação dos dados que o modelo aprendeu) a peculiaridades históricas.
- Validação Cruzada: Testamos rigorosamente o modelo escondendo os resultados de uma eleição passada, treinando o modelo com todas as outras, e verificando a precisão da previsão. Esta técnica de eliminar uma eleição para testar o modelo foi repetida para várias eleições anteriores, de forma a corroborar a fiabilidade deste modelo
- Calibração por Ensemble: Ajustamos as simulações com base no desempenho do modelo na eleição mais recente (2024), combinando várias técnicas de ajuste (proporcional, aditiva, hierárquica) usando pesos otimizados para fiabilidade.
Como qualquer projecção baseada em dados, este modelo parte de um pressuposto fundamental: que os factores que hoje levam alguém a votar no partido A ou B se manterão no futuro. Por mais que se tente controlar a incerteza, e por mais milhares de simulações que se façam, uma eleição continuará sempre a ser um acontecimento imprevisível — e ainda bem que assim o é, em nome da democracia.
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